O burlesco paulistano: expressão e inclusão

O termo cabaré deriva do termo francês cabaret. Apesar de atualmente a palavra estar amplamente associada a prostíbulos e bordéis, originalmente se destinava a teatros onde se apresentavam espetáculos de dança, música e variedades. Geralmente com funcionamento noturno, os cabarés recebiam todos os tipos de artistas e espectadores. Dentre estes, os artistas do movimento burlesco. Entre os mais famosos bares que seguem a proposta na noite paulistana, encontram-se o Cabaret da Cecília e o Paris 6 Burlesque.

Por definição, o burlesco é um movimento que consiste em apresentações satíricas e caricaturais sobre diversos temas e incluindo, mas não se limita a dança, música, teatro e literatura. Com o passar dos anos, o termo deixou de representar a sátira e a paródia, para descrever majoritariamente um estilo de dança. Dentro da dança burlesca, também temos diversas vertentes, como o fan dance (dança com leques de plumas), o jazz cabaret e o strip burlesco.

Algo que muitos não sabem, ou acabam por se esquecerem, é que o burlesco vai além do entretenimento, trazendo aos espetáculos a história da sociedade a partir dos anos oitenta, surgimento do movimento. Atualmente, dentro do neo-burlesco, conta-se a história de cada artista, afirmando a si mesmo com total liberdade de expressão, e trazendo sua jornada de luta e poder sobre o próprio corpo e na conquista de uma quebra de padrões.

Em síntese, o show burlesco trata muito mais da autoafirmação e realização pessoal do artista do que o prazer da plateia. Apesar disso, com o show, cada espectador pode aprender e conhecer algo novo sobre o artista, o movimento burlesco e si mesmo. O público pode acabar se vendo refletido no espetáculo.

Dentre as diversas mulheres que me inspiraram a escrever este artigo, está Jelly Maciel, estilista fundadora da grife Jelly Maciel e do projeto Academia de Divas, que visa acolher mulheres e levá-las a se redescobrirem através do burlesco. O projeto, no entanto, vai além da dança, do glamour e da estética.

Jelly Maciel, bailarina, estilista, cantora lírica e idealizadora do projeto Academia de Divas.

Dentro de uma sala comercial perto da rua Teodoro Sampaio, a Academia de Divas tem ensinado mais do que passos de dança e trazido autoestima, espaço e voz para mulheres que sentem a necessidade de se redescobrir. Em meio a plumas, pérolas e passos de dança, a professora traz um espaço de sororidade e descontração, levantando também debates cruciais sobre feminismo, aceitação do corpo, preconceito e, principalmente, a quebra de padrões estéticos e da rivalidade feminina, colocando mulheres como parceiras ao invés de concorrentes.

Jelly Maciel e a Academia de Divas me inspiraram a escrever este artigo para desmistificar a imagem errônea do movimento burlesco e levar esta arte tão inclusiva e diversa para que mais mulheres se redescubram.

Nota: as imagens foram cortesia das bailarinas da Academia de Divas Jelly Maciel, Cheesecake Cindy, Demon Bubbles, Katlego Meria e Madame Blueberry.

Fotos: Daniele Silva, Jéssica Ferreira, Marcelo Sabino e Priscila Campos.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s