Por que os bancos ganharam R$ 1,2 trilhão e os mais necessitados apenas 600 reais?

Muito tem se falado sobre “salvamento de bancos”, quando na última semana de março foi anunciado que o Banco Central planejara um pacote de R$ 1,2 trilhões em recursos para os bancos. Muitas pessoas ficaram revoltadas nas redes sociais pois, para elas o governo estava dando trilhões para essas empresas enquanto pessoas como autônomos e desempregados receberiam apenas R$ 600.

Mas na verdade não foi isso que aconteceu pois nenhum banco brasileiro esta quebrado atualmente, foi apenas uma operação de injeção de recursos no sistema bancário para justamente ele ficar mais liquido (com mais dinheiro em caixa) para segurar as pontas de todo sistema financeiro caso houvesse muitos calotes dos tomadores de crédito.

Entendendo a origem desse dinheiro

Muito se viu propagar que o Governo “deu dinheiro para banco”, mas não foi esse o caso pois essa operação de injeção de liquidez foi executada por duas vias:

A primeira diminuía a alíquota do compulsórios, que é dinheiro único e exclusivamente dos depositantes que tem conta corrente/poupança.

Já a segunda era um empréstimo do Bacen, que é o emprestador de dinheiro em última instância para com os bancos comercias. Não é à toa que ele é chamado de “O banco dos bancos”. Veja em seu próprio balanço

Esse empréstimo ao setor privado foi concedido através de algumas condições impostas pelo Bacen, que é o lastreamento dessas operações vias CDBs (depósitos a prazo), debêntures privadas e LFTs que são de posses dos próprios clientes dos bancos. Caso eles não paguem tais empréstimos, os bancos perdem esses ativos que estão em suas custodias.

Entendendo as funções de cada política macroeconômica

O Banco Central apenas conduz a política monetária de um país, que é exatamente esse vai e vem de moeda em uma economia (aumentar ou diminuir o dinheiro em circulação) via taxa de juros que é o mais convencional ou outros instrumentos de política monetária.

Ele nada mais fez do que seu papel em defender o poder de compra da moeda e assegurar a estabilidade do sistema financeiro nacional que é um de seus slogans, para gente não ter mais um problema em nossa crise que seria a falta de liquidez generalizada, vide 2008, seguindo a boa prática internacional e tomando medidas de prevenção. Ex : Fed, BCE, Bank of England, BOJ etc.

A politica fiscal é atribuição do Ministério da Economia e tem como seu pulmão o Tesouro nacional. São eles que cuidam de toda a formulação fiscal, de custeio e execução do auxílio emergencial, e não o presidente do Bacen. Embora o órgão não seja independente, é autônomo para tomar algumas decisões não levando em consideração a opinião do governo.

O art. 164 da Constituição Federal veda que o Banco Central do Brasil (BCB) financie o Tesouro Nacional (TN) diretamente. Traduzindo isso, o Banco central não pode fazer operações fiscais para financiar o auxílio emergencial, por exemplo, pois seria inconstitucional e ilegal. A menos que façam uma PEC para tal medida.

Referencias : https://www.bcb.gov.br/detalhenoticia/428/noticia?fbclid=IwAR0AbVteLxkgCVFMNGMjoOfvefkpoLudVEVGZwV_kO8TeuDSMEuXFH0bl7E

Mario Henrique Simonsen ” Macroeconomia”.

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