Da desaprovação à aclamação: Adam Sandler e a crítica

Em 8 de fevereiro de 2020, Adam Sandler subiu ao palco da cerimônia dos Film Independent Spirit Awards e deu um discurso hilário. Em sua fala, o ator-comediante saudou a então apresentadora do evento, a atriz Aubrey Plaza, e continuou: “Aubrey e eu fizemos um filme chamado Funny People 11 anos atrás, que na verdade foi a última vez que os críticos fingiram não me odiar por uns 5 minutos”, tendo como referência “Tá Rindo Do Quê?” (2009), uma comédia dramática em que Sandler interpretou um dos papéis mais sóbrios de sua carreira. Na ocasião, o ator estava recebendo o prêmio de melhor ator por sua aclamada atuação em “Joias Brutas” (Uncut Gems; 2019).

Adam Sandler em seu discurso de agradecimento pelo prêmio de Melhor Protagonismo Masculino na 35ª edição do Film Independent Spirit Awards. Foto: Chris Pizzello/Invision/AP.

A ironizada de Sandler envolve a relação ruim que a crítica especializada de cinema, em geral, construiu com seus filmes de comédia ao longo dos anos. O ator foi responsável por produzir, estrelar e muitas vezes roteirizar várias comédias de sucesso de público que construíram uma legião de fãs, mas que receberam rótulos como de “humor fácil”, “pastelão”, “bobas” e “grosseiras” por parte da avaliação da imprensa. 

No entanto, “Sandman”, apelido que ele mesmo utiliza, já havia trocado afetos com a crítica em outros trabalhos, e sua atuação no filme mais recente dos emergentes cineastas e irmãos Josh e Benny Safdie veio para reatar esse relacionamento. Neste suspense tenso, Adam Sandler encarna Howard Ratner, um vendedor de joias e viciado em apostas que vive se envolvendo em negócios arriscados. 

Ao passo que é injusto dizer que o ator carrega o filme nas costas, pois tiraria os outros muitos méritos do longa-metragem, sua performance é seguramente o brilho de “Joias Brutas”. Ele é capaz de segurar a dramaturgia frente à uma câmera que quase não sai dele. Ao mesmo tempo, além do alcance de interpretação, mantém sua característica humorística, já que o roteiro entrega-o um personagem falante e bem-humorado.

Sandler em cena de “Joias Brutas”. Foto: Divulgação.

Para entender a relação de amor e ódio entre os críticos e os trabalhos de Adam Sandler, é interessante analisar o percurso de sua carreira. É bem verdade que o ator tem suas raízes e seu coração na comédia, mas seu contato com papéis dramáticos não veio por acaso e necessariamente em detrimento do humor. O fato de ter estudado Drama na Universidade de Nova York (NYU), em meados da década de 1980, já indica sua formação de ator.

Enquanto cursava a faculdade, começou a apresentar stand-up comedy na cena independente de Nova York. Seu primeiro contato com filmes veio paralelamente com “Ir ao Mar” (Going Overboard; 1989). Trata-se de uma produção de baixíssimo orçamento com aspecto de filme trash que quase ninguém viu, em que Sandler interpreta um aspirante a humorista. Se os críticos já torcem o nariz para os seus filmes de meio de carreira com orçamentos elevados, não é difícil de imaginar o que falariam deste. 

Em 1990, ingressou como ator e roteirista no Saturday Night Live (SNL), famoso e louvado programa de comédia da televisão americana e responsável pela revelação de grandes comediantes. Antes de ser demitido em 1995, foi lá que ele desenvolveu seu tipo de humor por meio de sketches e apresentações musicais, outra marca de seu sucesso. Humor este mais tarde muito criticado quando na forma de cinema. 

Sua experiência com filmes foi se desenvolvendo durante os primeiros anos da década de 1990 por meio de aparições em longas de mentores e colegas comediantes. Até integrar o elenco principal de “Os Cabeças-de-Vento” (Airheads; 1994), com Brendan Fraser e Steve Buscemi, e “Billy Madison, um Herdeiro Bobalhão” (Billy Madison; 1995), ambos não muito bem recebidos pela crítica. O segundo, querido por fãs e também co-escrito por Sandler, carimbou o surgimento de sua figura como astro de comédia no cinema.

Em “Billy Madison”, o ator interpreta um jovem rico e mimado, obrigado por seu pai à voltar a estudar. Foto: Divulgação.

A partir daí, sua carreira dispara, começando a estrelar filmes baratos de alta rentabilidade. Dentre eles, “Um Maluco no Golfe” (Happy Gilmore; 1996) e “Afinado no Amor”(The Wedding Singer; 1998), esta a sua primeira comédia romântica e inédita parceria de cena com Drew Barrymore, o que se repetiria mais duas vezes no futuro. Foi também seu primeiro trabalho que recebeu críticas mais favoráveis por parte da imprensa. Os dois filmes, inclusive, são os trabalhos iniciais de Sandler com dois cineastas que o acompanhariam em muitas outras produções: Dennis Dugan, diretor de “Um Maluco no Golfe”, em mais 7 filmes; e Frank Coraci, diretor de “Afinado no Amor”, em outras 4 ocasiões.

Após desempenhar a função também de produtor executivo em alguns de seus filmes, Adam Sandler cria sua própria produtora em 1999, a Happy Madison Productions, nomeada a partir da junção de títulos de dois dos seus filmes anteriores. A empresa produziria a grande maioria dos próximos projetos que estrelasse e também outros protagonizados por amigos comediantes, como Rob Schneider e David Spade. 

O primeiro lançado pela produtora e estrelado por Sandler foi “Little Nicky – Um Diabo Diferente” (Little Nicky; 2000), uma comédia fantasiosa que recebeu críticas péssimas. Além disso, a produção de orçamento mais elevado não seguiu os seus sucessos anteriores e registrou números bem ruins nas bilheterias. Foi também a primeira colaboração com o diretor Steven Brill, que estaria com o ator em mais 4 projetos até hoje. 

Começava aí o desenvolvimento de uma linguagem que o acompanharia em todas as suas comédias com o selo da Happy Madison, caracterizadas pelo exercício de um humor pastelão e às vezes absurdo e obsceno, estereótipos, diversas punchlines, e sentimentalismo. Isso além das recorrentes presenças de amigos comediantes como Kevin James, Chris Rock e Terry Crews, além dos já citados Schneider, Spade e Buscemi. Era o início de praticamente um império de filmes de comédia, em sua maioria rentáveis, mas sem a mesma boa recepção por parte da crítica.

Em 2002, por outro lado, Sandler adicionou à seu currículo a inusitada colaboração com o elogiado cineasta Paul Thomas Anderson na comédia romântica peculiar “Embriagado de Amor” (Punch-Drunk Love; 2002). Pelo filme, PTA, como é conhecido o diretor, ganhou o prêmio de direção no celebrado Festival de Cannes daquele ano. Estava aí, então, um relativamente jovem Adam Sandler protagonizando um filme premiado num dos festivais de cinema mais importantes do mundo. 

Sandler como Barry Eagan em cena de “Embriagado de Amor”. Foto: Divulgação.

Os críticos seguiram a tendência da premiação e receberam o filme e a atuação de Sandler com bons olhos. Seu retrato de um homem com uma certa ansiedade social e problemas de raiva, que se apaixona por uma amiga de sua irmã não muito menos estranha do que ele, é tido como uma de suas melhores atuações na carreira. É um papel complexo e diferente do que o ator estava acostumado. Mas, não deixa de fora a comédia que corre em suas veias, só a exercita de maneira bem particular sob a batuta de um diretor autoral e a presença de bons atores como Emily Watson e, o já falecido, Philip Seymour Hoffman.

A aventura num filme de natureza distinta e o contato com o drama não significaram uma mudança completa de foco para o ator Adam Sandler, que continuou a desenvolver seus projetos de comédia à sua maneira. Mas, com certeza, abriu um caminho alternativo para a sua interpretação em papéis mais sérios, que voltariam a ocorrer vez ou outra durante sua carreira.

Ao longo da década de 2000 e início de 2010, Sandler e sua produtora estabeleceram um ritmo de produção intenso, com quase um filme protagonizado por ele lançado a cada um ou dois anos, dando seguimento ao seu estilo de cinema. Todos estes filmes contendo ainda mais similaridades e características recorrentes, tais como a presença de uma atriz incrivelmente bonita para Sandler como seu par romântico (Winona Ryder, Kate Beckinsale, Salma Hayeck, etc.), crianças sendo estúpidas, animais (às vezes em CGI) fazendo coisas bizarras, piadas com peido (ora envolvendo as crianças ora os animais), cenários de férias que fazem o filme parecer uma desculpa para viajar (o ator chegou a comentar isso numa entrevista), e por aí vai. As semelhanças são tantas que a expressão “filme do Adam Sandler” se tornou praticamente um subgênero.

Quanto aos protagonistas que couberam ao ator interpretar, limitaram-se basicamente à dois tipos: um solteirão mulherengo, desbocado, infantil e confiante ou um pai de família dedicado, divertido e estressado. Cruze essas características e complete quase toda a sua filmografia de comédia.

A dupla Barrimore e Sandler contracenando no filme queridinho do público “Como Se Fosse a Primeira Vez”. Foto: Darren Michaels – © 2003 Columbia Pictures Industries, Inc. Todos os direitos reservados.

O sentimentalismo e lições de moral presentes nas histórias também fizeram com que seus filmes com a Happy Madison fossem muito bem recebidos por audiências mais novas. Desenvolveu-se, assim, uma fábrica de sucesso de comédias family friendly que marcaram e carregam as marcas de sua época. Guardadas algumas diferenças de elementos, temos, dentre esses filmes: “Como Se Fosse a Primeira Vez” (50 First Dates; 2004) trazendo novamente a comédia romântica e Drew Barrymore; “Click” (2006) com uma pegada de ficção-científica e um pouco de drama; “Um Faz De Conta Que Acontece” (Bedtime Stories; 2008) nos moldes de fantasia Disney; e “Gente Grande” (Grown Ups; 2010) ou “Adam Sandler e seus amigos curtindo as férias”. 

Percebe-se que boa parte dos filmes de Sandler parecem surgir de ideias para sketches de programas cômicos, seja de premissas inteiras, como um agente militar quase super-herói que se transforma em cabeleireiro, ou de piadas pontuais, como o cachorro que transa com um pato de pelúcia. Frente a isso, a recepção da crítica variou entre mista e negativa para esses filmes e o astro passou a ser presença constante nos prêmios de “piores do ano” do Framboesa de Ouro.

Da esquerda para a direita, os comediantes e amigos de longa data Chris Rock, Kevin James, Rob Schneider, David Spade e Adam Sandler em ação em “Gente Grande”. Foto: Tracy Bennet.

Mesmo assim, o ator conseguiu manter as experiências em papéis mais ligados ao drama e com propostas diferentes em meio à sua agenda ocupada. Depois de Punch-Drunk Love foi a vez de “Espanglês” (Spanglish; 2004), uma comédia romântica/dramática dirigida por James L. Brooks. O filme não foi tão elogiado quanto o anterior, mas a interpretação de Sandler como um chef de cozinha em meio a conflitos familiares e amorosos, ao lado de Paz Vega e Téa Leoni, foi vista com interesse.

“Reine Sobre Mim” (Reign Over Me; 2007), por sua vez, apresentou o ator em um de seus papéis mais tristes como um homem completamente afetado por ter perdido sua família nos ataques de 11 de setembro e em busca de retomar sua vida com a ajuda de seu antigo amigo (Don Cheadle). A atuação de Sandler foi capaz de emocionar e recebeu elogios também por sua boa química com Cheadle, daonde surgem bons momentos cômicos. Esta, que pode ser caracterizada como uma “dramédia” do diretor Mike Binder, foi avaliada pela imprensa de forma favorável, embora não incrível. 

Don Cheadle e Adam Sandler em “Reine Sobre Mim”. Foto: Divulgação.

Dois anos depois, o cineasta e comediante em ascensão – e ex-colega de quarto de Sandler – Judd Apatow teve seu já mencionado filme “Tá Rindo do Quê?” lançado. Nele, Adam interpreta um famoso comediante lutando contra uma doença e questionando escolhas de sua vida, no que parece ter sido um papel escrito para ele e com toques – ou coincidências – biográficos. A produção traz Seth Rogen e Leslie Mann como seus parceiros de cena, além de inúmeros humoristas americanos no elenco. O filme recebeu avaliações entre boas e médias da mídia e foi outro que chamou atenção pelo trabalho mais sóbrio de Sandler, mesmo que num roteiro todo imerso no mundo da comédia.

Curiosamente, seus filmes considerados mais sérios não atingiram o mesmo sucesso comercial de suas comédias, desempenhando mal em bilheteria. “Reine Sobre Mim” e “Ta Rindo Do Quê,” aliás, foram produzidos por uma subsidiária da produtora de Sandler, a Mr. Madison 23 Productions.

Em “Tá Rindo do Quê?”, Seth Rogen (direita) interpreta um inexperiente comediante que vira o assistente do famoso humorista George Simmons (Adam Sandler). Foto: Divulgação.

Juntamente com a Happy Madison, seguiu produzindo conteúdo a todo vapor na década de 2010, mas agora com algumas cambaleadas em termos financeiros e diferentes propostas que também não deram certo. A comédia mais adulta “Este É o Meu Garoto” (That’s My Boy; 2012), com o pupilo Andy Samberg, foi um desastre no box office e na crítica. Já “Pixels” (2015), a comédia de ação e aventura que gerou um certo alarde por trazer jogos clássicos de videogame dos anos 1980 para as telas, também decepcionou. Inclusive, foi considerada como um projeto que poderia ter sido mais interessante se não fosse a presença de Sandler e sua turma. 

Em meio à várias revisões negativas, chama atenção o apontado pela crítica americana Christy Lemire acerca do trabalho do ator em “Juntos e Misturados” (Blended; 2012). Ainda que avaliando negativamente este outro filme co-estrelado por Drew Barrimore, Lemire afirmou que “[…] Sandler permite que seus instintos dramáticos apareçam em algumas cenas – do tipo que fizeram suas performances em ‘Embriagado de Amor’ e ‘Tá Rindo do Quê?’ tão inesperadas e bem-vindas”. Ela ainda completa dizendo que “aquele ator está ali, em algum lugar. Talvez Sandler irá eventualmente se desafiar outra vez algum dia desses e o libertará”. 

 A jornalista estava certa e essa “libertação” da persona dramática de Adam poderia vir em uma de suas próximas investidas nos novos projetos dos interessantes cineastas Tom McCarthy e Jason Reitman, em “Trocando os Pés” (The Cobbler; 2014) e “Homens, Mulheres e Filhos”, (Men, Women and Children; 2014), respectivamente. Porém, os filmes foram recebidos como trabalhos menos inspirados de McCarthy, que viria a dirigir o ganhador do Oscar “Spotlight: Segredos Revelados” (Spotlight; 2015), e Reitman, diretor do elogiadíssimo “Juno” (2007).

Embora sua atuação tenha ganhado repercussão um pouco melhor nestes dois filmes, a retomada do bom relacionamento de Sandler com a crítica veio mesmo por meio de “Os Meyerowitz: Família Não se Escolhe (Histórias Novas e Selecionadas)” [The Meyerowitz Stories (New And Selected); 2017]. Sob a direção do ótimo Noah Baumbach, Adam Sandler se juntou a um forte elenco composto pelo também vindo da comédia Ben Stiller, Emma Thompson e Dustin Hoffman, com quem já havia contracenado em “Trocando os Pés”. “Os Meyerowitz” foi recebido com muito elogios, incluindo odes para as atuações e o roteiro, que lida como poucos com conflitos familiares de forma irônica e ao mesmo tempo sensível. Com esta produção, Sandler compareceu novamente à Cannes, onde o filme concorreu à Palma de Ouro.

Em “Os Meyerowitz: Família Não se Escolhe”, Dustin Hoffman e Adam Sandler interpretam pai e filho em busca de reconciliação. Foto: Atsushi Nishijima/Netflix.

O longa, aliás, foi lançado diretamente na Netflix, que, em 2014, segundo o IndieWire, assinou um contrato de 250 milhões de dólares com a Happy Madison, envolvendo 4 filmes para alavancar a produção de conteúdo original para o serviço. Uma aposta até questionada na época pelos recentes fracassos de bilheteria envolvendo a produtora. Sandler estrelou em todos eles e continuou com sua mesma pegada para comédias, com a adição de que aqui foram explorados períodos históricos, como o velho oeste americano e a Hollywood da década de 1990. 

O primeiro da leva foi a paródia de faroeste “The Ridiculous 6” (2015), massacrada criticamente. Por outro lado, foi reportado pela plataforma como uma fonte de expressivos números de visualizações. Os longas seguintes receberam revisões ora negativas ora medíocres.

Cena de “The Ridiculous 6”. Da esquerda para a direita, Luke Wilson, Taylor Lautner, Jorge García, Terry Crews, Rob Schneider, Burro e Adam Sandler. Foto: Divulgação.

E é aí que, depois de mais comédias sendo lançadas a cada ano, chega o famigerado “Joias Brutas”, lançado pela própria Netflix em territórios fora dos EUA, e o casamento de Sandler com a crítica de cinema está retomado. 

É bem verdade que provavelmente não dure muito e que o divórcio volte a ocorrer, visto que mais “daqueles filmes do Adam Sandler” estão por vir. Frente aos bons frutos da parceria entre Happy Madison e Netflix, um novo acordo de 4 filmes foi feito entre as empresas neste ano, sem valores divulgados, também conforme informado pelo IndieWire. O próximo, intitulado “Hubbie Halloween”, já está marcado para sair ainda em 2020 e conta com parte do “clã Sandman” no elenco.

O que dá para se esperar de Adam Sandler na próxima década é que ele mantenha o seu estilo nas comédias, que possui muitos fãs ao redor do mundo, mas que também continue a aplica-lo em projetos que desafiem o seu lugar comum de interpretação. “Joias Brutas”, “Embriagado de Amor” e até o seu mais recente, e ótimo, especial de comédia original da Netflix “Adam Sandler: 100% Fresh” permitem pensar que vê-lo em filmes de cineastas consagrados como Tarantino, Irmãos Coen, Wes Anderson ou de novos talentos interessantes seria algo divertido de se ver. A crítica e o público ficariam intrigados. 


Um agradecimento especial ao colaborador Matheus Marcucci pela influência na pesquisa que deu origem ao presente texto.

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