Crônica: Jair Bolsonaro – o único ser que Gandhi teria prazer em deitar na porrada

Quando ingressei no Converge Jornalismo, sabia que era uma experiência nova. E nessa experiência, eu sabia que teriam pessoas muito mais capacitadas do que eu dentro da equipe. Logo, na minha cabeça, eu não poderia adotar a linha editorial ferrenha e sarcástica sobre o cotidiano que costumava usar durante as atividades de produção textual da faculdade de Jornalismo pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern). Como um mero intruso, decidi fincar a minha posição como um participante do caderno de entretenimento. Desse modo, poderia alcançar mais pessoas, que não torceriam o nariz por causa de minha abordagem política. E tudo estava indo bem… até uma maldita noite de terça-feira, 24 de março de 2020.

Desde o início da quarentena, eu já tinha passado por minha parcela de raiva. Seja com familiares divulgando fake news absurdas (uma em particular, do Donald Trump batendo no “governador do México” me deixou com uma vontade de rir e de espancar quem divulgou a notícia), ou com o puro vazio do ostracismo social, todo dia se tinha um motivo pra surtar. Somem isso aos pronunciamentos frequentes acerca do coronavírus feito pelo o Ministro da Saúde e presidente provisório do Brasil Luiz Henrique Mandetta e o cenário de desespero está completo. Mas, a vinheta do pronunciamento do presidente mudou tudo, com uma violência inacreditável.

Na contramão das medidas adotadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), e se valendo de pesquisas e dados adquiridos do CPTK (quem manja de Facebook vai pegar essa aqui rápido), o presidente Jair Messias Bolsonaro foi em rede nacional convocar os brasileiros a “voltar à normalidade”, questionando medidas de controle de contágio e – claro – culpando a mídia por toda a “histeria” promovida. O seu discurso também serviu para autopromoção num nível que nem sequer vê-se no Tinder (“pelo meu histórico de atleta, caso fosse contaminado com o vírus, não precisaria me preocupar”), além de relativizar uma doença que já afeta quase meio milhão de pessoas e já matou mais de 18 mil, chamando-a de “gripezinha ou resfriadinho”, numa indireta de juvenil de Facebook para o doutor Dráuzio Varella e para a Rede Globo.

Nem as minhas mais brutais viroses me estimularam a vomitar como neste momento. Revestido de uma ignorância tirânica, Bolsonaro politiza e polariza um problema mundial, para satisfazer o seu ego e conservar uma “prosperidade econômica” sem medo de ser construída em cima do caixão do trabalhador brasileiro. Mesmo com um pronunciamento irresponsável e de caráter genocida, o excelentíssimo presidente da república ainda consegue carregar a sua corja de defensores a justificarem os seus atos, tornando insustentável o clima em grupos de família e amigos no Whatsapp (a não ser que sejam todos com alguma inclinação ao neo-fascismo, aí tá de boa).

Precisei de alguns banhos antes de começar a escrever esse texto, para poder não chorar ou vomitar de tanto ódio. Enquanto nada se pode fazer, eu começo a gerar em minha mente imagens peculiares, com situações que pudessem dar um jeito nesse cabaré de uma vez por todas. Uma até me assusta, mas, dadas as circunstâncias, torna-se aceitável: sem dúvida alguma, Mahatma Gandhi, o advogado indiano conhecido pelo pacifismo, não titubearia em jantar o presidente do Brasil na porrada.

ATENÇÃO: A crônica em questão se trata de uma análise bem-humorada da situação e em momento algum incita a prática de violência ou tampouco traduz a opinião do Converge Jornalismo como veículo de comunicação.

2 comentários sobre “Crônica: Jair Bolsonaro – o único ser que Gandhi teria prazer em deitar na porrada

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