É preciso buscar a solidariedade em meio ao egoísmo na epidemia de coronavírus

Apesar dos vários avisos institucionais e nos noticiários, até mesmo de pessoas comuns nas redes sociais, para que as pessoas fiquem ao máximo em casa por conta da pandemia mundial de coronavírus, muitos ignoram as mensagens ou não dão a devida importância.

Recentemente tivemos um episódio em um shopping em Pernambuco, vendo que teria que encerrar suas atividades para evitar concentração de pessoas, fez uma grande promoção em seus produtos. Tivemos então um vídeo mostrando um monte de gente andando lado a lado. Algumas usavam máscara. Ou seja, possuem um mínimo de noção do perigo que estão expostas, mas consideraram que valia a pena estar ali.

Isso sem falar de certos pastores que teimam ou teimaram em manter suas igrejas abertas para culto, mesmo contra as indicações institucionais e com várias denominações religiosas, das mais tradicionais como as católicas até mesmo as evangélicas, fechando.

E não é preciso muito tempo de conversa com um amigo ou parente pelo WhatsApp ou por uma videoconferência (pois na quarentena e no isolamento social começamos a sentir saudade do contato humano) para ouvir histórias de gente que ainda está indo para o bar, boteco, se reunindo na casa de alguém, fazendo churrasco, etc. E definitivamente não há falta de aviso, apesar do presidente Jair Bolsonaro minimizar diversas vezes o atual cenário e até criticar os governadores que estão tomando medidas para que a situação não se agrave mais ainda no futuro.

Se por um lado há o descuido, a diversão em detrimento da segurança de todos (porque o indivíduo ao se arriscar, caso pegue a doença pode espalhar para outros, o que é o maior perigo do coronavírus, ou então pegar um leito de um sistema de saúde cujo ministro Mandetta prevê um colapso em abril), por outro lado, há o pânico e o “cada um por si”.

Pessoas formam fila em supermercado para estocar comida e outros produtos. Foto: Reprodução/Redes sociais.

O exemplo mais claro disso foi com o papel higiêncio e o álcool em gel em que as pessoas compraram feito loucas os frascos, fazendo o preço subir para as alturas. E mais recentemente, tivemos o presidente dos EUA Donald Trump exaltando os resultados preliminares do cloroquina e da hidroxicloroquina, dizendo para que a FDA (Administração de Alimentos e Medicamentos) agilize o processo para que possa ser usado como medicamento contra o coronavírus. As substâncias já vinham sendo testadas pelos chineses, inclusive. Com resultados promissores.

O pensamento positivo com o cloroquina foi compartilhado por Jair Bolsonaro, que falou que o hospital Albert Einstein já está fazendo pesquisas com as substâncias que terão seu estoque aumentando com o plano de usar o laboratório do Exército para fabricá-las.

Esse entusiasmo infelizmente se refletiu em pessoas indo comprar cloroquina e hidroxicloroquina, mesmo com a falta de novos estudos para comprovar a eficácia e a fabricação de um remédio específico para o coronavírus.

Em entrevista para a Globo, a pneumologista da Fiocruz Margareth Dalcolmo destacou o fato de que as substâncias ainda estão em estágio experimental no combate à doença e que as que são vendidas comercialmente não tratam o Covid-19 e são destinadas para terapias intensivas e casos especiais muito graves. De fato, o uso desses medicamentos deve ter um acompanhamento contínuo de um oftalmologista, já que pode causar cegueira. O uso sem necessidade desses remédios e sem acompanhamento médico é extremamente perigoso.

Foto: Reprodução/Agência Brasil.

A situação ficou tão alarmante que pessoas que usam dessas substâncias para tratamento e as consomem de modo diário começaram a se deparar com a falta de seus medicamentos nas farmácias. Isso porque pessoas que não precisam dele compraram e deixaram quem realmente precisa sem.

Nisso a Anvisa soltou uma nota explicando o uso do hidroxicloroquina e do cloroquina no dia seguinte a uma que informava que agora as substâncias são produtos controlados. Justamente para evitar a escassez.

Quanto ao álcool em gel, empresas e governos começaram a se mobilizar para atender a população, seja aumentando a produção ou vendendo a custo de fábrica. De fato, muitas iniciativas privadas estão tomando precauções e medidas de conscientização, do McDonalds ao Telecine. Mesmo que ainda tenhamos relatos de funcionários de empresas privadas de serviços não essenciais indo trabalhar.

E no Facebook se encontra várias pessoas se oferecendo para fazer as compras de supermercado para aqueles que tem mais de 60 anos. Indivíduos que não estão dentro de nenhum grupo de risco e que não pedem nada em troca, apenas a lista dos itens que a pessoa precisa.

Foto: Reprodução/Facebook.

Uma corrente que se popularizou e mostra sinais de bondade e solidariedade em meio a crise pela qual passamos.

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