Documentário tributo ao sambista Adoniran Barbosa faz jus ao grande músico apagado pelo tempo

O cinema brasileiro estreia com o pé direito em 2020. Adoniran – Meu Nome É João Rubinato, documentário dirigido por Pedro Serrano, é uma viagem pela vida do compositor, cantor e ator Adoniran Barbosa, autor de clássicos do samba brasileiro, como “Depois das Onze” e “Saudosa Maloca”.

Adoniran compunha seus sambas inspirados em sua vida particular. Como ele mesmo dizia: tragédia de pobre, quando não dá morte, dá samba. E muitas das histórias por detrás de suas músicas são contadas no filme, ora por entrevistas antigas do próprio Adoniran, ora por seu sobrinho ou amigos. E são essas histórias que deixam o filme tão gostoso (mas nós não iremos contá-las aqui para não estragar o seu divertimento).

A cidade de São Paulo é um dos personagens mais presente em suas músicas, sendo considerada a sua grande musa inspiradora. Com o passar dos anos, Adoniran passou a ser o maior cronista musical da cidade, retratando toda a transformação que ela passou entre a cidade provinciana dos anos 30 para a metrópole das décadas seguintes. Em suas músicas, ele conta dessas mudanças tanto do ponto de vista urbano (como na música “Saudosa Maloca”), como para a vida das pessoas.

Em show, Adoniran e o grupo Demônios da Garoa apresentam a música “Trem das Onze”. Foto: Divulgação

Os personagens (e suas histórias) descrevem Adoniran como uma pessoa engraçada, conversadora, boêmia, mas também com uma vida muito triste e sozinha. Serrano explica essa diferença em uma entrevista para o jornal “Bom dia São Paulo”: “Ele tinha um olhar muito atento para os menos favorecidos e, por isso, não deixava de sofrer junto com eles ao assistir tanta desigualdade”. Como o próprio Adoniran dizia: o progresso é violento.

O filme também apresenta a própria batalha do Adoniran como sambista. Mesmo sendo um dos maiores nomes da história do gênero musical, ele não conseguiu se estabelecer facilmente como cantor. Uma das justificativas que o filme apresenta é justamente por ele ser “antiquado” para a modernização de São Paulo. Por ser uma pessoa que não se importa com dinheiro ou por ser muito camarada, os novos tempos atropelaram a sua carreira e ele passou a ser esquecido rapidamente.

Ao longo do filme, tem uma história que se destaca. Em uma entrevista para a televisão, Marília Gabriela pergunta ao Adoniran se ele gostaria de ter uma praça pública com o seu nome. Ele diz que não. Que uma praça é muito pouco. Ele queria uma avenida inteira para que as pessoas passassem bastante tempo relembrando a sua existência. Por enquanto, nós não temos nem uma praça, nem uma avenida com o seu nome. Mas temos uma escultura no bairro do Bixiga (em São Paulo) e 93 minutos em sua homenagem.

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