Festival de Berlim 2020 terá 19 filmes brasileiros; competição é a mais empolgante em anos

A 70ª edição do festival de cinema de Berlim ocorrerá do dia 20/02 ao 1/03. Essa edição comemorativa de 70 anos, que será aberta por My Salinger Years, de Philippe Falardeau, marcará também uma nova fase para o prestigiado festival alemão.

A edição do ano passado marcou o fim da era de Dieter Kosslick sob a direção do festival, após uma forte pressão da classe cinematográfica alemã exigindo que ele deixasse o cargo. Assim, a partir desse ano, Mariette Rissenbeek e Carlo Chatrian assumem respectivamente os cargos de diretora executiva e diretor artístico da Berlinale.

Mariette Rissenbeek é a diretora executiva e Carlo Chatrian o diretor artístico do Festival de Berlim 2020. Foto: Reprodução.

Nesse primeiro ano no cargo os novos diretores promoveram algumas mudanças estruturais importantes no festival: as sessões Culinary Cinema e Native foram extintas e foi criada uma nova sessão competitiva batizada de Encounters, dedicada a obras de caráter mais experimental e a novos realizadores.

A nova sessão parece que vai representar para a Berlinale algo próximo do que o Un Certain Regard é para Cannes ou a Cineasti del Presente é para Locarno. Ela ainda conta com uma seleção muito promissora que combina autores consagrados com jovens promissores.

Entre consagrados os nomes vão desde o precursor do novo cinema romeno Cristi Puiu, que irá inaugurar a sessão com o seu Malmkrog, até o veterano do novo cinema alemão Alexander Kluge. Já entre os jovens estão cineastas como Matias Piñero e Josephine Decker, além de nomes desconhecidos.

Já a curadoria da mostra competitiva principal parece ter ido da água paro o vinho. Ela é composta de 18 longas-metragens, sendo 16 deles estreias mundiais. Depois de algumas edições sem nomes animadores, a competição de 2020 é a mais empolgante em muitos anos.

Entre os selecionados estão alguns autores fundamentais como Tsai Ming-Liang com Days, seu primeiro filme narrativo desde Cães Errantes (2014), Philippe Garrel com o romance Le Sel des Larmes, Hong Sang-Soo com The Woman Who Ran, Rithy Pahn com o documentário Irradiés, Abel Ferrara com Siberia, Kelly Reichardt com First Cow e Christian Petzold com Undine.

Cena do filme DAU Natasha, de Ilya Khrzhanovsky. Foto: Divulgação.

Completando a sessão estão a nova versão contemporânea de Berlin Alexanderplatz, dirigida por Burhan Qurbani; o polêmico filme DAU. Natasha, de Ilya Khrzhanovskiy (que também apresenta em uma exibição fora de competição a série DAU. Degeneration, outra parte do projeto que promete gerar as maiores controvérsias do festival); a comédia Effacer l’historique, de Benoît Delépine e Gustave Kervern; Favolacce, segundo filme dos irmãos D’innocenzo; Never Rarely Sometimes Always, de Eliza Hittman; El Prófogu, dirigido pela argentina Natalia Meta; The Roads Not Taken, da veterana Sally Potter; My Little Sister das suíças Stéphanie Chuat e Véronique Reymond; There Is No Evil, novo filme do iraniano Mohammad Rasousof; Volevo Nascondermi, de Giorgio Diritti e o aguardado brasileiro Todos Os Mortos, dirigido por Marco Dutra (As Boas Maneiras) e Caetano Gotardo (O Que Se Move).

Cena do filme Cidade Pássaro, dirigido por Matias Mariani. Foto: Divulgação.

O cinema brasileiro como de costume tem lugar de destaque no festival. Nesse ano serão 19 filmes entre longas ou curtas metragens com produção ou coprodução nacional. Além do já citado Todos Os Mortos destacam-se Nardjes A. 2019, novo documentário de Karim Aïnouz (Vida Invisível), e Cidade Pássaro de Matias Mariani na mostra Panorama; Meu Nome é Bagdá, de Caru Alvez de Souza e Alice Junior de Gil Baroni na mostra Generation além de Vil, Má de Gustavo Vinagre; e Luz dos Trópicos da veterana Paula Gaitán na mostra Forum.

Fora de competição serão exibidos diversos filmes que geram expectativa: Charlatan, da polonesa Agnieszka Holland; Mimata, estrelado por Johnny Depp; Numera, que foi dirigido da cadeia pelo preso político Oleg Sentsov; Onward, nova animação da Pixar; a nova versão de Pinocchio do italiano Matteo Garrone e Swimming Out Till the Sea Turns Blue, novo documentário do mestre chinês Jia Zhang-ke.

Nas sessões paralelas também estão presentes novos trabalhos de alguns cineastas conhecidos no circuito de festivais como Radu Jude (que apresenta dois filmes no Forum), James Benning, Kazuhiro Soda, Raul Ruiz (que abre o Furum com seu segundo filme póstumo), Raya Martin e Nobuhiro Suwa.

O vencedor do urso de ouro será conhecido no dia 29 de fevereiro.

A programação completa pode ser consultada no site do festival; berlinale.de

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